DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

 

 E O SEU MUNICÍPIO, O QUE TEM PARA COMEMORAR?

 

 

I – Por que se comemora o Dia da Mulher no 8 de março?

 

 

Hoje, comemora-se o dia internacional da mulher. Celebrado em 08 de março, a comemoração tem origem na longa jornada de lutas e conquistas trilhada pelas mulheres por melhores condições de vida, de trabalho, direito a voto, respeito, igualdade de condição, entre outras reivindicações. Adotada pelas Nações Unidas, em 1975, foi criada para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres como as discriminações e a violência a que muitas mulheres ainda são submetidas em todo o mundo. 

 

No Wikipédia, encontra-se relato histórico desta importante data. Sintetizado por nosso corpo editorial para não cansar nossos leitores, destacamos a seguinte passagem:

 

“A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi proposta na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina em massa na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. As operárias em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos contra as más condições de trabalho e os baixos salários, em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque. Muitos outros protestos ocorreram nos anos seguintes, destacando-se o de 1908, quando 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque, exigindo a redução de horário, melhores salários e direito ao voto.

 

O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América, por iniciativa do Partido Socialista da América. Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhaguen, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada. No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 19 de Março, por mais de um milhão de pessoas, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.

 

Poucos dias depois, a 25 de Março de 1911, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 146 trabalhadores - a maioria costureiras. O número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Este foi considerado como o pior incêndio da história de Nova Iorque, até 11 de setembro de 2001. Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle se tenha incorporado ao imaginário coletivo como sendo o fato que deu origem ao Dia Internacional da Mulher.

 

Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917, a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro.

 

Após a Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo um dia oficial que durante o período soviético permaneceu numa celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a vertente política e tornar-se-ia numa ocasião em que os homens manifestavam a simpatia ou amor pelas mulheres da vida - uma mistura das festas ocidentais do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, com ofertas de prendas e flores dos homens às mulheres. O dia permanece como feriado oficial na Rússia, bem como na Bielorrússia, Macedónia, Moldávia e Ucrânia”.

 

Após breve recuperação da memória histórica, retrataremos nas próximas seções a situação da mulher no Estado e nos Municípios paulistas, destacando algumas estatísticas e políticas relacionadas ao bem-estar da mulher.

 

 

II - A situação da mulher no Estado de São Paulo

 

 

Os avanços obtidos pelas mulheres com respeito à condição feminina e à participação no mercado de trabalho são inegáveis. Todavia, ainda há um longo percurso para que se estabeleçam para valer condições de igualdade entre homens e mulheres.

 

Se no campo penal a Lei “Maria da Penha” (Lei nº 11.340/06) trouxe maior rigor na punição para os agressores, quando ocorridas no âmbito doméstico ou familiar[1], notamos que no ambito profissional e econômico as condições ainda não são isonômicas.

 

Informações do Boletim Mulher & Trabalho (Convênio Fundação Seade/DIEESE) mostram que a taxa de participação da mulher no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Sao Paulo, para todas as faixas etárias, ainda é menor do que a dos homens (Gráfico 1). Isto certamente ocorre porque prevalece a “velha e gasta” noção de que o espaço da mulher é na ocupação dos afazeres domésticos. 

  

 

 

 

Gráfico 1

Taxa de Participação, por Sexo, Segundo Faixa Etária

Região Metropolitana de São Paulo - 2009

 

 

 

Para o mesmo universo de informações, a taxa de desemprego é nitidamente maior entre as mulheres (Gráfico 2), enquanto a relação entre rendimento médio mostra que as mulheres ganham  20% a menos do que os homens por hora de trabalho

 

 

Gráfico 2

Taxas de Desemprego Total, por Sexo

Região Metropolitana de São Paulo – 2009

 

 

 

 

Gráfico 3

Relação entre o Rendimento Médio Real por Hora de

Mulheres Ocupadas e o de Homens Ocupados

Região Metropolina de São Paulo - 2009

 

 

 

Mesmo para o maior Estado da Federação, são renitentes os problemas com respeito à condição feminina. Para uma população total estimada em 41.633.802 habitantes em 2009, São Paulo contava com um público feminino que chegava a 21.279.707, ou seja, 51,1% do total. O predomínio das mulheres não encontrou resposta suficiente para a superação das dificuldades que afetam a esse grupo.

 

Por exemplo, o percentual de mães adolescentes (com menos de 18 anos), em relação ao total de gestantes no Estado, embora venha caindo, atingiu 7,13% em 2008. Para mães que tiveram sete ou mais consultas de Pré Natal, o percentual em relação ao total das gestantes atingiu 76,89% em 2008, quando o ideal é que alcance cem por cento.

 

Mais absurdo é o fato de que notícias e estatísticas de violência sexual contra a mulher continuam presentes na mídia. Entre 2006 e 2007 (últimas informações disponíveis), foram consumados 6.674 estupros e 1.477 tentativas no Estado de São Paulo[2]. Considerando-se que muitas mulheres se sentem acuadas para registrar queixa na delagacia da mulher - quando estas existem na região onde moram –, é possível inferir que esse número seja maior. E tudo isto no Estado mais desenvolvido da Federação!    

 

 

    

III - E o seu município, o que tem feito pelo bem-estar das mulheres?

 

 

O poder público municipal é a instância de governo mais próxima da população. É aquela que recebe diretamente as suas demandas e capta as suas necessidades. Por isso a CAPTA Projetos decidiu lançar o seguinte desafio:

 

O que a administração municipal tem feito para assegurar melhor condição de vida às mulheres?

 

Relacionamos, abaixo, os 10 (dez) munícipios paulistas que apresentavam em 2009 o maior número de mulheres entre a sua população e os 10 municípios com o menor número. Para identificar o que vem sendo feito para as mulheres, investigamos a situação nos municípios com o maior contingente feminimo, analisando informações disponíveis no site de cada prefeitura  

 

Municípios Paulistas com as Maiores Populações Femininas

 

Municípios

População (em unidades)

Em % da População Total do Município

São Paulo

5.748.911

52,27

Guarulhos

675.651

51,00

Campinas

550.964

51,38

São Bernardo do Campo

420.413

51,48

Osasco

371.932

51,46

Santo André

352.389

51,84

São José dos Campos

320.979

50,75

Sorocaba

304.121

50,86

Ribeirão Preto

295.859

51,90

Santos

232.122

53,70

                                    Fonte: Fundação Seade

 

Municípios Paulistas com as Menores Populações Femininas

 

Municípios

População (em unidades)

Em % da População Total do Município

Pracinha

794

29,18

Dirce Reis

773

49,14

Balbinos

721

19,67

Uru

719

48,98

Fernão

717

49,41

União Paulista

712

48,87

Trabiju

706

48,76

Santa Salete

681

48,19

Nova Castilho

520

48,92

Borá

417

49,29

                                   Fonte: Fundação Seade.

 

 Cabe-nos advertir, no entanto, que o procedimento adotado não expressa o método mais adequado para essa avaliação. Certamente, todos os municípios brasileiros – e os de São Paulo não seriam exceção – distribuem pelos programas de governo (boa parte presente nos seus Planos Plurianuais) ações que se direcionam, direta ou indiretamente, ao atendimento das necessidades femininas. São iniciativas relacionadas à saúde da mulher, à construção de creches, à oferta de apoio médico e psicológico, a vagas para emprego e ao combate à violência doméstica, entre outras.

 

A nossa opção não visa privilegiar a escolha deste ou daquele município. Buscamos identificar o que existe e está divulgado nos sites, uma vez que a análise mais acurada dos Planos Plurianuais - que permitiria maior rigor na investigação - nem sempre é possível, já que vários municípios não os disponibilizam em seus sites.

 

Os nossos levantamentos revelaram que:

 

1º) Em todas as cidades que apresentam elevada população feminina (50% ou mais do total) o Dia Internacional da Mulher está presente no calendário de programação cultural, esportiva ou social;   

2º) Não existe instância própria (secretaria ou coordenadoria) para tratar dos assuntos relacionados à condição feminina. Na maioria dos casos, acreditamos que ações para mulher estão distribuídas pelo arcabouço dos programas do Plano Plurianual (PPA). Em 2 (dois) municípios encontramos coordenadorias para mulher. Em um caso, denominada Coordenadoria da Mulher e Promoção da Igualdade Racial e no outro Coordenadoria da Mulher; 

3º) Em dois municípios mencionados, houve a decisão de promover o “Mês da Mulher”, com programação completa durante todo o mês de março para comemorar a data;             

4º) Entre os 10 municípios pesquisados, apenas um divulgou em seu site homegem feita a cerca de 70 funcionárias da Secretaria de Serviços Municipais com palestras sobre a saúde da mulher e qualidade de vida;

5º) Na tabela acima, localizamos em apenas 1 (um) município relação completa de serviços de atenção à mulher. Nesse caso, identicamos os seguintes programas: Banco de Leite, Casa da Gestante, Projeto Casulo, Saúde da Mulher e Atendimento à Vitima de Violência Sexual.

 

Assim voltamos a perguntar: E o seu município, o que tem para comemorar?

 



[1] A lei alterou o Código Penal brasileiro e possibilitou que agressores de mulheres no âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada. Os agressores não poderão mais ser punidos com penas alternativas e a legislação aumenta o tempo máximo de detenção previsto de um para três anos. A nova lei ainda prevê medidas que vão desde a saída do agressor do domicílio à proibição de sua aproximação da mulher agredida e dos filhos.

[2] As estatísticas de estupro não se referem apenas à mulher como vítima, mas a toda e qualquer forma de ataque sofrido por um cidadão. Todavia, sabemos que mais de 90% das ocorrências estão relacionados à violência sexual contra a mulher.